Projeto meus super-heróis também podem ser negros

Lorena Bárbara Santos Costa

Projeto meus super-heróis também podem ser negros

Projeto de Lorena Bárbara Santos Costa

Contribuição do projeto para a educação

O Projeto Meus super-heróis também podem ser negros surgiu a partir da necessidade de, garantir no espaço escolar a garantia das Leis N° 10.630/2003 11.645/2008, sobre a obrigatoriedade do ensino de História e da Cultura Africana e Afro indígena-Brasileira. A Bahia é composta da fusão de várias culturas devido o processo de formação da nossa identidade. A nossa pluralidade cultural é a tradução da resistência secular dos nossos ancestrais, que ao longo dos anos transmitiram através da tradição oral os seus conhecimentos e que assim contribuíram para a preservação da nossa história. Portanto, o questionamento se entretece sobre como construir uma prática pedagógica emancipadora, onde a memória e as tradições da diáspora negra sejam valorizadas e respeitadas durante todo o ano letivo e não somente nos meses de agosto e novembro. Há ainda o desafio de fomentar práticas pedagógicas que evidenciem a cultura afro-brasileira, onde os estudantes que adentram esses espaços reconheçam-se a partir das construções de seus próprios saberes. Conhecimentos e saberes construídos a partir da sua própria história e não de uma história determinante, imposta através de um currículo, que nega a sua própria condição de pertencimento racial.

Todo o trabalho foi planejado a fim de desenvolver as competências sugeridas na BNCC, propondo uma aprendizagem significativa através das experiências vividas pelos educandos a partir de seus contextos familiar, social, cultural, suas memórias e pertencimento local. As atividades de debates buscaram estimular a capacidade de argumentação e o desenvolvimento do pensamento crítico por meio das atividades de seminários e debates.

Após fazer um levantamento dos recursos que poderiam ser trabalhados para apoiar o nosso projeto, fiz os recortes necessários para nortear as nossas ações. Busquei iniciar o projeto assistindo o filme Pantera Negra, trazido por um aluno, e a partir daí iniciamos os estudos sobre o continente africano, seus reinos, suas diversas culturas, como iniciou-se o processo de exploração e escravidão dos seus povos e a chegada dos africanos no Brasil. Os estudos sobre os povos negros escravizados no Brasil, nos permitiu estudar profundamente sobre os levantes e revoltas do povo negro pelo fim da escravidão, em especial as revoltas ocorridas na Bahia. Ao realizar esse recorte foi possível favorecer a aprendizagem dos alunos, através da ampliação do processo de letramento e uma melhor participação ativa das práticas sociais de leitura, escrita, oralidade e outras linguagens. O projeto foi desenvolvido de forma interdisciplinar, buscando articular as diferentes áreas do conhecimento sempre que possível.

Aspectos curriculares atendidos pelo projeto

A dimensão das competências alinhadas a BNCC foram desenvolvidas ao longo de todo o projeto. Percebemos através das oficinas, debates e seminários. Sobre o repertório cultural proposto pela BNCC, trabalhamos para que os alunos de entendessem e valorizassem as diversas manifestações artísticas e culturais e valorizassem a própria identidade. Foram usadas diversas linguagens de comunicação para expressar-se e partilhassem informações de foram lúdica e prazerosa. Sobre a cultura digital criamos um grupo de WhatsApp com alunos e familiares para troca de informações e compartilhamentos de livros digitais sobre protagonistas negros. Assim compreenderam o impacto das tecnologias na ida das pessoas e na sociedade em que estão inseridos, no que tange ao acesso ao conhecimento nos dias atuais.

Valorização da diversidade e inclusão

Há ainda o desafio de fomentar práticas pedagógicas que evidenciem a cultura afro-brasileira, onde os estudantes que adentram esses espaços reconheçam-se a partir das construções de seus próprios saberes. Conhecimentos e saberes construídos a partir da sua própria história e não de uma história determinante, imposta através de um currículo, que nega a sua própria condição de pertencimento racial.

Os estudos sobre os povos negros escravizados no Brasil, nos permitiu estudar profundamente sobre os levantes e revoltas do povo negro pelo fim da escravidão, em especial as revoltas ocorridas na Bahia. Ao realizar esse recorte foi possível favorecer a aprendizagem dos alunos, através da ampliação do processo de letramento e uma melhor participação ativa das práticas sociais de leitura, escrita, oralidade e outras linguagens. O projeto foi desenvolvido de forma interdisciplinar, buscando articular as diferentes áreas do conhecimento sempre que possível.

Com a sociedade em constante mudança, as pessoas têm discutido e questionados diversos padrões sociais. Muitos grupos sociais não mais aceitam que se legitimem certos estereótipos como, por exemplo, de apenas serem evidenciados e valorizados os super-heróis brancos.

O Projeto Meus Super-heróis Também Podem Ser Negros, foi elaborado a fim de promover uma reflexão sobre as questões raciais em nossa sociedade, buscando trabalhar os valores éticos e morais a partir das histórias lidas e filmes sobre super-heróis e também da história dos povos africanos, suas contribuições na formação do povo e cultura brasileira.

Como objetivo geral- Conscientizar os alunos para que compreendam sobre as questões raciais em nossa sociedade, valorizem e respeitem as semelhanças e diferenças entre os seres humanos a partir da mitologia dos super-heróis negros, reconhecendo a importância da história dos povos africanos e suas contribuições na formação do povo e cultura brasileira. Os Objetivos Específicos planejados foram: Pesquisar e criar histórias em quadrinhos utilizando recursos tecnológicos disponíveis na escola; Dramatizar histórias dos filmes dos heróis e outros enredos criados pelos alunos; Problematizar diferentes temas a partir de filmes e histórias lidas; Vivenciar momentos de troca de experiências, respeitando as diferenças; Valorizar a cultura local; Empoderar os alunos para o enfretamento dos desafios diários contra o preconceito e o racismo; Conhecer e divulgar a história de protagonistas negros no Brasil e no mundo.

A escola Gersino Coelho está inserida em um bairro periférico de Salvador, na Bahia, o bairro de Narandiba. O é considerado violento pela polícia militar, com altos índices de homicídios de pessoas por envolvimento e associação ao tráfico de drogas. O espaço físico da nossa escola é um lugar privilegiados, temos áreas verdes, uma quadra de esportes, biblioteca, sala de vídeo, laboratório de ciências, sala de artes e rampa para acesso de cadeirantes.

A comunidade é formada na sua maioria negra, que justifica-se pelo fato do bairro ser oriundo de um antigo quilombo de Salvador, o quilombo do Cabula. Muitas das pessoas sobrevivem do trabalho autônomo, doméstico e da construção civil.

Atividades desenvolvidas no Projeto

As etapas de trabalho foram estruturadas de acordo as parcerias iam sendo estabelecidas e na medida que os matérias eram conseguidos para realização das oficinas.

A primeira etapa definida foi realizar o levantamento dos conhecimentos prévios dos alunos, suas expectativas, relacionando os conteúdos previstos com o contexto de vida em que estavam inseridos. Em seguida, foram pensadas as estratégias necessárias para que o projeto fosse realizado e como atingir os objetivos propostos. Nessa etapa realizamos pesquisas, entrevistas, debates, oficinas, workshop, seminários, etc. Na última etapa foi pensado em como socializar o conhecimento adquirido com a comunidade escolar e como prestar contas aos parceiros e profissionais que se dedicaram a nos ajudar.

Realizamos a construção de portfólios, maquetes, os alunos organizaram uma peça teatral com a professora de teatro da escola a partir da leitura do livro de uma parceira, a escritora Maria Izabel Muller que tomou conhecimento do nosso projeto no site da secretaria de educação e veio contribuir com o nosso trabalho doando seu livro para ser estudado durante o nosso projeto e nos presenteando com uma dia maravilhoso de Contação de histórias . O livro da escritora aborda os contos de fadas na realidade afro-baiana. Dessa forma, nossos estudantes tiveram mais uma oportunidade de se verem representados nas histórias lidas. Realizamos a construção de portfólios, maquetes, os alunos organizaram uma peça teatral com a professora de teatro da escola a partir da leitura do livro de uma parceira, a escritora Maria Izabel Muller que tomou conhecimento do nosso projeto no site da secretaria de educação e veio contribuir com o nosso trabalho doando seu livro para ser estudado durante o nosso projeto e nos presenteando com uma dia maravilhoso de Contação de histórias . O livro da escritora aborda os contos de fadas na realidade afro-baiana. Dessa forma, nossos estudantes tiveram mais uma oportunidade de se verem representados nas histórias lidas.

Durante todo o ano letivo realizamos atividades do projeto. Dentre algumas destaco: a organização do seminário Revolta dos Búzios na nossa escola. O bate papo com o professor Dr. Carlos Eduardo, da Universidade da Bahia sobre as revoltas dos malês e dos búzios na Bahia. Tudo isso articulado com a leitura dos livros em histórias em quadrinhos sobre as revoltas de autor Mauricio Pestana. E para fechar com chave de ouro, os alunos receberam o cineasta baiano Antônio Olavo, que nos presenteou com uma sessão do filme em lançamento Revolta dos Búzios. Após assistirem o filme, os alunos tiveram a oportunidade de discutirem diversos aspectos observados e descobertos nas pesquisas. O cineasta ficou emocionado ao ver os alunos interagindo com a sua obra de forma tão surpreendente a história dos heróis baianos que lutaram por uma sociedade democrática e igualitária para todos.

O autor paulista Marcelo de Salete, ao saber do nosso projeto através das redes sociais, nos presenteou com um exemplar do seu livro Angola Janga. O livro conta a história do quilombo dos Palmares através dos quadrinhos. O livro ganhou o prêmio Jabuti de Literatura. Receber o livro do próprio autor significou uma forma de fortalecer o nosso trabalho, e demonstrar para os alunos a nossa cultura e identidade através das histórias em quadrinhos.

Outro autor que também contribui com o nosso trabalho foi Flávio Luiz. O autor também foi convidado por mim a contribuir com o projeto. Baiano e morando em São Paulo já há alguns anos, Flávio Luiz não mediu esforços para nos ajudar, nos presenteou com trinta exemplares do seu livro Aú o Capoeirista do Farol. Esse livro proporcionou aos alunos um reconhecimentos automático da nossa cultura e valorização da nossa identidade. A história tem como protagonista um capoeirista negro de Salvador e a história se passa em um dos grandes cartão postal de nossa cidade o Farol da Barra. Como enredo a história traz uma linguagem simples e divertida que muito favoreceu o despertar pelo gosto da leitura dos alunos, tendo em vista que a história traz como mensagem principal a importância da leitura e o valor incalculável dos livros.

Durante o projeto realizamos oficinas a fim de tornar as nossas aulas dinâmicas, lúdicas e interativas. Para apoiar as nossas ações realizamos a oficina do empoderamento capilar com o apoio de profissionais. teve como principal foco o resgate da autoestima das crianças negras através de oficinas. Para isso, contou com profissionais que atuam especificamente para este público, como a cabeleireira Anna Teles, a turbantista Luciana Costa, a maquiadora Dandara Montenegro, além da trancista e funcionária da unidade escolar Taís Conceição. Durante a atividade as crianças foram ouvidas sobre o que percebem no dia a dia sobre o cabelos, e falaram como se relacionam e enfrentam diariamente o racismo. Após as oficinas houve um seminário sobre o empoderamento dos cabelos afros e um desfile para dos cabelos e maquiagem produzidos nas oficinas.

Outra oficina de sucesso e que ganhou notoriedade foi a oficina culinária com o afro chef Jorge Washington que também é ator do Bando de Teatro Olodum. Na ocasião o afro chef culinário preparou com a ajuda dos alunos uma moqueca de ovo e falou sobre a importância de valorizar a nossa culinária tão rica e os profissionais que se dedicam a comercialização dos produtos que consumimos. Logo após a realização dessa atividade fomos informados que a escola Eleva no Rio de Janeiro, replicou a nossa atividade a partir de tomar conhecimento da nossa ação o que nos encheu de orgulho.

Também foram realizadas as oficinas de artes com os artistas da comunidade Denissenna e Wilton São Bernado. Ambos moradores do bairro em que a escola está localizada. Na oficina com ao artista Denissenna, os alunos tiveram a oportunidade de aprenderem sobre a cultura Pop Art, em acompanharam uma performance artística na parede do pátio da nossa escola. O artista aproveitou para representar uma mulher negra que fosse interpretada por quem visse sua obra a identificasse como alguém da sua família ou de sua convivência. Logo em seguida os alunos transformaram as suas fotos tiradas por eles mesmos durante a oficina do empoderamento capilar e pop art. O resultado do trabalho foi sensacional.

Já o artista Wilton São Bernardo realizou um workshop sobre desenho. Na oportunidade os alunos construíram seus personagens a partir de dicas do artistas. Também contribuiu com o nosso projeto o autor Hugo Canuto com um catálogo de desenhos sobre os personagens do seu livro Contos dos Orixás. O material foi usado para fortalecer os nossos estudos sobre os mitos africanos.

Vale ressaltar que a medida que o trabalho ganhava força mais parceiros surgiam e se aproximavam. Pessoas desconhecidas ao saberem do trabalho também contribuíam como o caso do paulista Fernando São Gonçalo que através de amigos em comum nas redes sociais doou livros de histórias em quadrinhos do Pantera Negra para as nossas leituras e estudos. Os livros foram enviados pelos Correios e entregues na nossa escola.

A corrente do bem só aumentava. Como forma de divulgar o nosso trabalho recebi um convite da rádio Metrópole duas vezes para falar das atividades que estavam sendo desenvolvidas. Na ocasião tive a oportunidade de falar ao vivo com professores e pessoas de diversas áreas sobre as questões trabalhadas durante o projeto. Sem dúvida foi uma experiência incrível.

Sobre a diversidade de conhecimentos da turma tudo era valorizado. Recordo do momento em que estávamos estudando sobre as mitologias sobre a criação do mundo, propus que cada criança conversasse com suas famílias sobre oque acreditavam e trouxessem suas informações para a escola. Aproveitamos a ocasião para expandir os conhecimentos e estudamos as mitologias gregas, romanas, indígenas e de outros povos também sobre a criação do mundo.

Os aspectos da diversidade que foram trabalhados foram o respeito as diferenças, divergência, contradição das ideias, respeito a opinião do outro, etc. Discutimos sobre os diferentes grupos étnicos e culturais, as desigualdades socioeconômicas, as relações discriminatórias e excludentes na nossa sociedade.

Durante o projeto houve vários momentos significativos mas destaco a parceria das famílias para o sucesso do mesmo. Outro destaque foi perceber o quanto os alunos desenvolviam as atividades com entusiasmo e discutindo de forma autônoma os assuntos estudados. O desempenho dos alunos durante a apresentação da peça teatral, As Fadas do Acarajé foi sem dúvida sensacional. A performance deles no palco foi de mais. Outro destaque foi perceber a mudança de comportamento das alunas após a oficina do empoderamento capilar. Algumas alunas apesar de terem orgulho de quem eram afirmaram que só depois da oficina sentiam-se seguras para usarem faixas e turbantes. Uma outra aluna afirmou durante a oficina que se achava feia por causa do seu cabelo, mas que depois que se maquiou e usou o turbante se achou linda.

Durante o projeto também realizamos várias cirandas de leituras. Foram realizadas inúmeras atividades de escritas. Um caderno sobre a história da nossa culinária foi construído com os alunos, estudamos sobre as diferentes formas de empoderamento do povo negro, realizamos diversas atividades a fim de conhecer o legado dos povos africanos na construção da nossa identidade, por fim para encerrarmos as nossas atividades foi realizado uma mostra pedagógica comas atividades produzidas pelos alunos. No dia da mostra as famílias estiveram presentes para prestigiar o nosso trabalho.

Instrumentos utilizados na avaliação

Os objetivos traçados foram alcançados de forma satisfatória. Durante o processo ensino/aprendizagem foram analisados todas as ações pedagógicas e os alunos também tiveram a oportunidade de realizarem autoavaliação.

Como instrumentos avaliativos foram utilizados fichas de leitura e produção de texto. A construção de portfólio para melhor acompanhamento dos alunos, rodas de conversa para exposição de ideias e avaliação da linguagem oral.

Realizamos diferentes estratégias avaliativas como a avaliação diagnóstica, a cumulativa através dos portfólios e formativa através dos debates, seminários e a autoavaliação como momento reflexivo sobre o que era ensinado e aprendido.

As reuniões de pais também foram instrumentos avaliativos, pois acabaram sendo o feedback das aprendizagens adquiridas, pois os pais relatavam nos encontros como seus filhos estavam entusiasmado com as atividades realizadas, cobravam apoio das famílias nas realizações das atividades e auxílio nas pesquisas e entrevistas.

A avaliação diagnóstica permitiu conhecer o aluno, sua história de vida, seus hábitos culturais e preferências. Já a avaliação formativa permitiu repensar as atividades realizadas e ajustá-las sempre que necessário para atender as dificuldades dos alunos. Apenas a avaliação somativa não foi aplicada por não ser utilizada em nossa rede de ensino. Foram propostas as avaliações contínuas e personalizadas, pois ambas fundamentam-se nos processos de aprendizagem em seus aspectos afetivos, cognitivos e relacionais através da aprendizagem significativa.

O Conselho de Classe também foi usado como referencial avaliativo, pois tive a oportunidade de ouvir as impressões de outros professores sobre o desenvolvimento dos alunos. Outra fonte que utilizei como instrumentos avaliativos foram as fotos de todas as etapas do projeto e também uma forma de refletir sobre a minha prática docente.

Resultado observado

Durante as realizações das atividades foi possível perceber que os alunos passaram a se interessar pelas atividades propostas de leitura e escrita, melhoraram as relações interpessoais e as famílias também passaram a se envolver mais no acompanhamento dos filhos na escola. Avalio que p trabalho desenvolvido foi sem dúvida um marco na vida e na aprendizagem dos alunos. A partir da proposta desenvolvida os alunos passaram a se reconhecer enquanto negro e afrodescendentes, passaram a ter orgulho da nossa ancestralidade que tanto contribuiu com a formação da nossa cultura.

O texto deste projeto foi enviado pelo autor e é de responsabilidade do autor deste projeto.

Projeto ajuda no desenvolvimento de quais competências?

ConhecimentoRepertório culturalEmpatia e cooperação

Horas/Aulas aplicadas ao projeto.

40 horas diárias

40 horas diárias

Público-alvo do projeto.

Fundamental I

Horas/Aulas aplicadas ao projeto.

Parque

Escola Pública

Escola Particular

Quantidade adequada de participantes.

70 participantes

70 participantes

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

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