Pedagogia da hora: Liga dos emojis

Onilia Cristina de Souza de Almeida

Pedagogia da hora: Liga dos emojis

Projeto de Onilia Cristina de Souza de Almeida

Contribuição do projeto para a educação

Nos últimos anos, a discussão sobre o papel e a importância das competências socioemocionais ganhou corpo no mundo inteiro. Na década de 90, o surgimento do Paradigma do Desenvolvimento Humano, proposto pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) foi publicado o relatório da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI à UNESCO em 1999, intitulado “Educação: um tesouro a descobrir”, sobre os quatro pilares fundamentais da educação para o século XXI: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a ser, e aprender a conviver. Tais saberes deixam explícito a relação entre o desenvolvimento cognitivo e o socioemocional.

Com a aprovação da Base Nacional Comum Curricular para o ensino básico pelo Conselho Nacional de Educação, foi contemplado o desenvolvimento de habilidades socioemocionais na grade curricular, visando desenvolver o desenvolvimento integral do aluno. Para isso, é importante selecionar estratégias capazes de desenvolver as habilidades que se espera dos estudantes: cognitivas, emocional, social e ética. Vale destacar que a partir de 2020, todas as escolas brasileiras terão de incluir as habilidades socioemocionais nos seus currículos. Ou seja, haverá a necessidade de adaptar os programas escolares e treinar os professores para que possam ministrar essas novas competências — que têm foco em habilidades não cognitivas, muito mais relacionadas ao comportamento e à administração das próprias emoções, mas que impactam positivamente o indivíduo e a relação dele com o mundo ao seu redor. Pensando nisso, surge a questão: Por quê e como trabalhar competências socioemocionais na escola?

A aprendizagem socioemocional gera um ambiente propício para melhorar o desempenho escolar e fortalecer os valores humanos na escola na promoção de uma cultura de paz, além disso, pode ser um fator de prevenção à saúde mental e ao bullying. Nesse sentido, pode garantir o desenvolvimento integral dos estudantes, ou seja, pode ajudá-lo construir o seu projeto de vida e a se capacitar para o mundo do trabalho. Nesse contexto, o professor tem papel fundamental na aplicação da Educação Socioemocional na escola. Para isso, ele precisa desenvolver suas próprias habilidades sociemocionais. Caso contrário, dificilmente será capaz de fazê-lo em seus estudantes. Por esses motivos, os especialistas já destacam a importância de trabalhar o socioemocional primeiramente com os professores.

No caso do Brasil, controlar uma sala de aula não é tarefa fácil. Para que se tenha uma ideia, uma pesquisa feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 2014, mostrou que 12,5% dos professores ouvidos afirmaram ser vítimas de agressões verbais ou de intimidação de alunos pelo menos uma vez por semana. É a taxa mais alta entre os 34 países participantes (média 3,4%). O estresse não só tem consequências negativas para os professores, mas também resulta em menor desempenho para os estudante e maior custo para as escolas. Para enfrentar esse problema, o primeiro passo é mobilizar os professores para que compreendam a importância e se interessem por trabalhar com as competências socioemocionais.

Nas escolas, tradicionalmente, são priorizadas a formação do estudante com ênfase no desenvolvimento de competências cognitivas, tais como linguagem, raciocínio e a memória, pouco se investe na educação socioemocional. Entretanto, Abed (20170 destaca, em um estudo longitudinal conduzido pelo prèmio Nobel, James Herckman, da Universidade de Chigado, foi comparado dois grupos de crianças da educação infantil, oriundos de famílias de baixa renda, no estado de Michigana. Um grupo foi submetido ao programa socioemocional “Perry Preschool Project”, com ênfase no desenvolvimento socioemocional. O grupo de controle, formado por crianças com as mesmas características sociodemográficas que não participaram desse programa. Abed (2017) afirma que os resultados deste estudo indicaram diferenças significativas, na vida adulta, em relação às habilidades denominadas “não-cognitivas”: os que participaram do projeto apresentavam baixas taxas de abandono escolar, desemprego, envolvimento em crimes e gravidez na adolescência. o pesquisador considera importante desenvolver as habilidades socioemocionais desde os primeiros anos na escola, o que pode trazer não só benefícios para o processo de aprendizagem, mas vai além, para a vida, a saúde, o trabalho e as relações sociais.

Quando consideramos o quantitativo de crianças e adolescentes nos últimos anos com histórico de problemas comportamentais e emocionais, é possível perceber a urgência de atuar de forma preventiva nos primeiros anos escolares. Por esses motivos, a abordagem da socioemocional vem ganhando destaque nas escolas nos últimos anos. É preciso considerar que a prevenção deve reconhecer as particularidades e vulnerabilidades dos estudantes, com pouco acesso à estrutura de oportunidades sociais, econômicas, culturais, geralmente, se traduz em desvantagens para o desempenho e mobilidade social desses atores (Abramovay , 2002).

De acordo com Casarin (s/d), pesquisas apontam, escolas que investem na educação socioemocional, apresentam resultados positivos: 23% dos estudantes melhoram em habilidades socioemocionais; 9% mudam de atitude frente à escola, família e outras pessoas de seu convívio; 9% melhoram o comportamento social; e 11% apresentam melhoria em testes acadêmicos. Foi verificado ainda que há uma redução em 9% dos problemas de comportamento e 10%, em distúrbios emocionais. Além disso, os pesquisadores identificaram a redução de fatores de risco para a vida de uma criança e jovens. Portanto, a aprendizagem socioemocional pode melhorar as relações na comunidade escolar.

Aspectos curriculares atendidos pelo projeto

Nessa linha de raciocínio, em 2017 foi criado o projeto piloto para atender a demanda de uma escola pública do Distrito Federal, localizada em uma área de vulnerabilidade social e com baixo desempenho no IDEB. Na ocasião, a equipe gestora estava impactada com a quantidade de casos de estudantes adolescentes que estavam praticando autolesão, com quadro depressivo, indisciplina e baixo desempenho escolar. Como a autora, atuava como pedagoga da Equipe Especializada de apoio à Aprendizagem Itinerante em quatro escolas nesta cidade, foi feita uma proposta à equipe gestora para iniciar um piloto, em caráter de urgência, na tentativa de intervir buscando redução desse quadro. Tratava-se de um programa voltado para o desenvolvimento das competências socioemocionais dos estudantes em risco social. Simultaneamente, a autora atuava como coordenadora de estágio supervisionado do curso de Pedagogia e, em conversa com os estagiários sobre o problema vivenciado no contexto escolar, iniciou-se o trabalho interventivo na escola piloto com a participação dos graduandos do curso. Essa experiência piloto deu bons resultados, o que motivou a ampliação para mais três escolas de responsabilidade da autora deste programa.

Valorização da diversidade e inclusão

A sociedade atual impõe um olhar de inovação e inclusão do qual surgem questões centrais do processo educativo: por que aprender e para que aprender? Como ensinar? Como promover redes de aprendizagem colaborativa e como avaliar o aprendizado? Porém, pouco se fala do aprendizado socioemocional. Ao mesmo tempo, o mundo do trabalho requer habilidades de comunicação, criatividade, análise crítica, participação, produção responsável que requer muito mais do que a acumulação de informações.

A Base Nacional Curricular Comum (BNCC) prevê as competências e habilidades que devem ser desenvolvidas, evidenciando a construção gradual do conhecimento do estudante de forma integral. Da mesma forma, as competências socioemocionais devem ser desenvolvidas ao longo da vida escolar, conforme o desenvolvimento do estudante em cada nível. Nessa linha de raciocínio, o documento orienta ser essencial que os estudantes sejam capazes de: a) respeitar e expressar sentimentos e emoções, atuando com progressiva autonomia emocional; b) atuar em grupo e demonstrar interesse em construir novas relações, respeitando a diversidade e solidarizando-se com os outros; c) conhecer e respeitar regras de convívio social, manifestando respeito pelo outro.

Para Colagrossi e Vassimon (2017), o ensino das habilidades socioemocionais é uma das estratégias mais significativas para promover sucesso estudantil, bem como, realizar reformas escolares eficazes. Pesquisas apontam que a aprendizagem socioemocional pode impactar nos resultados acadêmicos, nas relações da escola com a comunidade, na redução dos conflitos entre alunos e professores, na melhoria da disciplina da sala de aula e ajuda jovens a serem mais saudáveis e bem-sucedidos na escola e na vida.

Portanto, esse projeto busca a valorização da diversidade de saberes e vivências culturais e apropriando-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, empatia, consciência crítica e responsabilidade.

Atividades desenvolvidas no Projeto

Serão indicadas por cada Coordenação Regional de Ensino, duas escolas que participam do Programa ESCOLA QUE QUEREMOS. São escolas da rede pública que foram mapeadas pela Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal como precárias. O programa relacionou 185 unidades escolares que necessitam de investimento de infraestrutura, na melhoria do engajamento dos profissionais e reduzir os índices de evasão e reprovação. São indicadas várias ações para reverter essa situação. Participaram do projeto piloto, vinte e oito (28) escolas, destas, serão selecionados quatro (4) professores que serão capacitados neste programa Pedagogia da Hora: Liga dos Emojis.

3.2 PLANO DE TRABALHO E METAS
– Implantar o programa em 28 escolas do Distrito Federal
– Capacitar 112 professores das escolas selecionadas
– Atender em cada escola 125 estudantes por bimestre.
– Estimular a participação cidadã dos estudantes dos cursos envolvidos a partir das ações de responsabilidade social nas localidades de vulnerabilidade sócio emocional.
– Melhorar a autoestima dos estudantes com histórico de autolesão e auto destruição.
– Oportunizar debates, discussões e reflexões sobre vulnerabilidade sócio emocional, o fracasso escolar, as dificuldades de aprendizagem dos estudantes e quais estratégias que podem reduzir esses problemas sociais, conscientizando os estudantes do seu papel na sociedade.
– Fortalecer os valores humanos como forma de melhorar as relações humanas.
– Contribuir com a produção científica na área da Educação e da Psicologia, através da publicação de artigos científicos que enfatizem o tema central da investigação.
– Apresentar trabalhos em eventos científicos internacionais, nacionais, regionais e locais, possibilitando a divulgação e discussão sobre os achados da pesquisa.
– Organizar um evento científico na instituição sobre o tema, possibilitando o compartilhamento de pesquisas que estão sendo desenvolvidas.
– Congregar subsídios à formação de pesquisadores na área da educação (graduação e pós graduandos e de iniciação científica).
– Identificar os parceiros que podem contribuir para ampliação desse programa.

3.3 PÚBLICO ALVO
Professores, pedagogos e psicólogos indicados pelas escolas estudantes encaminhados por queixa de autolesão, problemas de comportamento, baixo desempenho, desejo de autodestruição e quadro depressivo das escolas piloto.

3.3 PILOTO
O projeto será aplicado em duas unidades escolares de cada Coordenação Regional de Ensino, sendo que, cada escola participante, poderá indicar 2 professores e pedagogos que atuem no serviço especializado.

3.4 SUGESTÕES DE TEMAS PARA AS INTERVENÇÕES NA ESCOLA
1º Encontro – Quebra gelo – apresentação do projeto Liga dos emojis. Identificar as personas (perfil dos estudantes) utilizando design thinking).
2º Encontro – utilizar gamificação – o Grok para identificar os sentimentos e as necessidades dos estudantes.
3º Encontro – Confeccionar o Quadro dos meus sonhos relacionando às emoções.
4º Encontro – participar do desafio: dançar/fazer desenho/recitar poemas/cantar música preferida – Se vira nos 30.
5º Encontro – Identificar suas próprias qualidades e dos outros (etiqueta).
6º Encontro – Celebrar a empatia e gratidão – Brigadeiro da empatia.
7º Encontro – Identificar as linguagens do amor (usar cards da linguagem).
8º Encontro – Identificar os tesouros (o que é importante para o estudante – baú).
9º Encontro – storytelling emoções básicas (Ex: Divertidamente ou Fiona)
10º Encontro – storytelling potencialidades -(Ex:Tempestade Xmen)
11º Encontro – qual o meu projeto de vida?
12º Encontro – Construindo minha Jornada do herói , eu herói – Confraternização

Ao final dos encontros, será realizada a avaliação de reação dos estudantes em relação ao programa e será dada pelos multiplicadores a devolutiva para gestores da escola, professores e família.

Instrumentos utilizados na avaliação

Serão realizadas avaliações diagnóstica e formativa, bem como, autoavaliação.

Resultado observado

Avaliação é feita pelas observações, participações dos estudantes nas atividades propostas.

O texto deste projeto foi enviado pelo autor e é de responsabilidade do autor deste projeto.

Projeto ajuda no desenvolvimento de quais competências?

ComunicaçãoTrabalho e projeto de vidaArgumentaçãoAutoconhecimento e autocuidadoEmpatia e cooperaçãoResponsabilidade e cidadaniaPensamento científico, crítico e criativo

Horas/Aulas aplicadas ao projeto.

40 horas diárias

40 horas diárias

Público-alvo do projeto.

Fundamental II

Horas/Aulas aplicadas ao projeto.

Parque

Escola Pública

Escola Particular

Quantidade adequada de participantes.

25 participantes

25 participantes

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

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