Panificação Solidária – Magis Pão

Matheus Cedric Godinho

Panificação Solidária – Magis Pão

Projeto de Matheus Cedric Godinho

Contribuição do projeto para a educação

O projeto da “Panificação Solidária” nasceu do desejo de criar um espaço de formação integral dos estudantes em que trabalhassem as dimensões do protagonismo juvenil, do aprender fazendo e do compromisso socioambiental. Nele, estudantes de sextos a nonos anos do Ensino Fundamental II assumiram o processo de arrecadação de ingredientes, produção, marketing e venda de pães caseiros em prol da arrecadação de fundos para a construção de moradias emergenciais para moradores de uma comunidade periférica de ocupação em Curitiba. Acompanhando as fases de desenvolvimento do aluno e características do currículo de cada série, houve a divisão de trabalhos segundo o seguinte formato:

Sexto ano: responsável pela arrecadação dos ingredientes e pela produção das embalagens.
Sétimo e Oitavo ano: responsável pelo preparo das massas e produção dos pães
Nono ano: responsável pela definição da marca, organização e estratégias de produção, venda e gestão do dinheiro arrecadado, bem como, da destinação dos valores à instituição escolhida pelo corpo discente.

O projeto é de extrema relevância pois mostra como a escola pode ser um organismo vivo de produção de conhecimento significativo com profundo impacto social. Através da estratégia não apenas estudantes do fundamental foram envolvidos, mas também famílias, professores e alunos de outras séries foram colaboradores indiretos através da aquisição dos pães e também da divulgação do trabalho. O esforço cooperativo que envolveu adolescentes de diferentes séries em torno de um mesmo ideal, administrando a entrada de ingredientes, a produção e escoamento dos produtos, bem como o dinheiro arrecadado, deu novo dinamismo ao espaço escolar e despertou as famílias para dois elementos intrinsecamente constitutivos da dignidade da vida humana: pão e teto.

Aspectos curriculares atendidos pelo projeto

Durante uma visita à comunidade 29 de Março, na periferia de Curitiba, os estudantes do 9º ano puderam conhecer de perto a realidade das pessoas que vivem em condições absolutamente precárias de moradia. Na ocasião, também, conheceram o trabalho da ONG TETO, que promove a construção de moradias emergenciais para esta população vulnerável. Esta visita partiu de uma discussão do núcleo de humanidades da escola, junto aos estudantes, sobre o acesso à moradia. Incomodados com a dura realidade que conheceram, os estudantes manifestaram o desejo de se articular em prol dos moradores da vila. Foi então que surgiu o Projeto de Panificação Solidária. Pensado por mim em seu germe como uma saída para a articulação dos alunos, ele foi coelaborado pelos próprios estudantes, que organizaram cronogramas de trabalho, divulgação e gestão do mesmo. A proposta pretendia ser uma oportunidade de trabalhar competências da BNCC não tão exploradas no cotidiano escolar através de atividades tradicionais, como “trabalho e projeto de vida”, “empatia e cooperação” e “responsabilidade e cidadania”. A experiência de panificação mostrou aos estudantes como o “serviço aos demais” pode ir muito além do mero assistencialismo e como o conheciam.

Valorização da diversidade e inclusão

O projeto da panificação esteve aberto a todos os estudantes de inclusão, sem prejuízo à sua participação em nenhuma instância. A experiência também abriu margem à partilha de conhecimentos familiares trazidos pelos estudantes a respeito da produção de pães por parte das avós, mães e tias, de modo especial. O ambiente da cozinha favorece a inclusão de todos pois lida com um aspecto e um ambiente que carrega em si traços de afetividade muito mais significativos e simbólicos que a sala de aula.

Atividades desenvolvidas no Projeto

As oficinas de panificação aconteceram as terças-feiras, no contra-turno escolar, nas dependências da cozinha do colégio. Estendendo-se de agosto a novembro de 2018, os dias de oficina seguiam um cronograma que intercalava dias de produção de pães com dias de produção das embalagens (3 por 1). Ao longo da semana, as turmas de sextos anos traziam para escola os ingredientes necessários para o preparo dos pães. Cada turma era responsável por garantir o estoque de um ingrediente específico (farinha, fermento, óleo, etc…). Também os sextos anos faziam a “customização” dos tradicionais sacos de pão, imprimindo neles gravuras autorais com a temática da panificação ou trechos de poemas (também autorais) sobre o sentido do pão. As criações artísticas envolveram professores do centro de artes da escola e professoras de língua portuguesa e as impressões aconteciam no espaço de uma tipografia artesanal montada na escola por um dos educadores.

Ao longo das semanas as turmas de sétimos e oitavos anos se revezavam no preparo dos pães, sendo que o período que correspondia ao crescimento da massa e assamento era preenchido por momentos de formação sobre a história do pão, seus significados simbólicos e também discussões a respeito do direito ao acesso à moradia. Ao final da produção, uma equipe de estudantes do nono ano assumia o processo de embalagem do pão e realizava a venda dos mesmos entre as famílias na saída das aulas e/ou professores. O nono ano também realizou reuniões periódicas para programar a gestão e definir processos.

Instrumentos utilizados na avaliação

Os instrumentos avaliativos utilizados foram a observação do trabalho e participação individual e em grupo dos estudantes, o debate nas rodas de conversa e reuniões de gestão do processo e o registro das atividades artísticas produzidas.

Resultado observado

O projeto mobilizou um grupo de quase 100 alunos de forma direta, sendo que destes, ao menos 40 tiveram envolvimento constante e de alta participação e protagonismo. Os estudantes mostraram diversas habilidades até então desconhecidas inclusive por este educador, como a criatividade e senso estético nas obras de divulgação das vendas, habilidades no manuseio dos utensílios da cozinha e da massa, capacidade de abordagem e persuasão nas vendas e liderança diante dos colegas. O projeto foi reconhecidamente um sucesso entre famílias e educadores, sendo requisitadas inclusive encomendas dos pães produzidos. Os estudantes se empenharam com muito afinco e superaram as expectativas.

O texto deste projeto foi enviado pelo autor e é de responsabilidade do autor deste projeto.

Projeto ajuda no desenvolvimento de quais competências?

Trabalho e projeto de vidaEmpatia e cooperaçãoResponsabilidade e cidadania

Horas/Aulas aplicadas ao projeto.

4 horas diárias

4 horas diárias

Público-alvo do projeto.

Fundamental II

Horas/Aulas aplicadas ao projeto.

Parque

Escola Pública

Escola Particular

Quantidade adequada de participantes.

10 participantes

10 participantes

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

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