Dias coloridos para uma infância feliz nas minúcias do cotidiano

Cleusa Maria Rossini

Dias coloridos para uma infância feliz nas minúcias do cotidiano

Projeto de Cleusa Maria Rossini

Contribuição do projeto para a educação

O Projeto “Dias coloridos para uma infância feliz nas minúcias do cotidiano” foi desenvolvido na educação infantil com crianças bem pequenas e surgiu do interesse destas pelos elementos da natureza e suas transformações. A proposta central foi propor vivências em diferentes ambientes, estimulando as descobertas e o encantamento pela natureza. Saindo da lógica de uma rotina homogeneizada, favorecendo que as crianças tivessem mais tempo de atividades em espaços livres para que seus dias fossem mais alegres e coloridos.

Despertar na criança pequena o amor e o cuidado com a natureza, bem como envolver a comunidade escolar em ações de sustentabilidade. Através destas ações buscar um envolvimento maior e incentivar o cuidado e respeito pelo meio ambiente.

Aspectos curriculares atendidos pelo projeto

O projeto foi desenvolvido após observar que as crianças precisavam de mais momentos de contato com a natureza.

Através do olhar e da escuta nas observações cotidianas percebemos que elas eram curiosas e tinham um interesse efêmero pela vida ao ar livre, e nestes locais ocorriam situações de maior envolvimento, integração e brincadeiras. Levando em consideração também o interesse delas pelos elementos que estavam ali dispostos (árvores, folhas, grama, gravetos, pedrinhas, flores), achamos pertinente ampliar este universo natural.

Organizamos espaços para enriquecer as possibilidades de brincadeiras, buscando contemplar e promover através das práticas cotidianas os Direitos de Aprendizagem definidos pela BNCC e referenciados na Proposta Pedagógica da Escola.

O que diz a BNCC: Brincar cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com diferentes parceiros (crianças e adultos), ampliando e diversificando seu acesso à produção cultural, seus conhecimentos, sua imaginação, sua criatividade, suas experiências emocionais, corporais, sensoriais e expressivas, cognitivas, sociais e relacionais.

Eixo Interagir e Brincar
A proposta de trabalho com vivências buscou efetivar os direitos de aprendizagem: Conviver/ brincar/participar/ explorar/ expressar/ conhecer

Tendo como base o diagnóstico realizado, e levando em conta as vozes e desejos das crianças, foram pensadas e planejadas as vivências em espaços desafiadores que oportunizaram a brincadeira e a aprendizagem com foco nas múltiplas linguagens e integrando os diferentes campos de experiência.

– O eu, o outro e nós;
– Ampliar as relações interpessoais, desenvolvendo atitudes de participação e cooperação;
– Curiosidade, autonomia no brincar e nos cuidados de si e do outro;
– Corpo, gestos e movimento;
– Comunicação e expressão na relação entre corpo, emoção e linguagem;
– Exploração de materiais de largo alcance;
– Traços, sons, cores e formas;
– Experimentação e pesquisa de texturas, planos, cores, formas e volumes;
– Exploração e transformação de materiais;
– Pesquisa e experimentação de marcas gráfica com diferentes riscadores e suportes;
– Escuta, fala, pensamento e imaginação;
– Expressar ideias, desejos e sentimentos sobre as vivências;
– Elaboração e expressão de hipóteses e explicações;
– Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações;
– Exploração das características dos objetos e materiais: odor, sabor, sonoridade, forma, peso, tamanho, posição;
– Estratégias para realizar classificação, ordenação, quantificação;

Valorização da diversidade e inclusão

Atividades desenvolvidas no Projeto

O desenvolvimento do projeto teve início com a proposta de ambientação dos espaços para a realização das vivências cotidianas junto à natureza. Foi realizado no período de junho a novembro.

Tendo como base a Proposta Pedagógica da Escola e da Educação Infantil do Município, Normas da BNCC e autores que trazem a importância do ambiente natural na formação da criança, organizamos as vivências nos diferentes ambientes da escola. Nas sequências didáticas, buscamos contemplar o interesse da turma e o desenvolvimento das habilidades nesta faixa etária.

Iniciamos as atividades no pátio observando o balanço das árvores, as folhas caindo, o tapete multicolorido que se formava no chão. Neste ambiente de encantamento, sentados num grande círculo as crianças ouviram o conto: A folha do Outono (Leo Buscaglia) contada pelo personagem “Pássaro”, e puderam perceber que a natureza se transforma e se renova. Colheram elementos no jardim (folhas, gravetos secos, pedrinhas, sementes) criaram brinquedos e brincadeiras utilizando-os. Também recolheram as folhas das árvores que estavam secas no chão colocando num cesto de vime, estas foram utilizadas nas produções futuras.

Realizamos um passeio pelo Bairro contemplando as árvores, as flores, os quintais das casas e as ruas, para vermos se existia arborização nestes espaços. Ao retornamos para a escola fomos até o pátio para observar as árvores que existiam ali e as crianças constataram que elas não davam frutos, exceto um pé de laranjeira que existe dentro do espaço da pracinha. Chegamos à conclusão que necessitávamos de mais árvores frutíferas, então tivemos a ideia de criarmos um pomar. O espaço onde projetamos criar este pomar é um terreno ocioso nos fundos da escola. Numa ação conjunta entre segmento escolar e comunidade conseguimos junto ao Poder Pública torná-lo parte integrante do patrimônio da escola.

Vieram então alguns dias de chuva e frio, o que é típico da nossa Região Sul, observando estes fenômenos com as crianças decidimos realizar algumas de nossas vivências em ambiente fechado, então a natureza migrou para as pesquisas e brincadeiras na sala. As crianças em grupo confeccionaram “A árvore do outono”, utilizando um galho seco no qual realizarem colagem das folhas e frutos. Observando cores, texturas, tamanho, e formas dos elementos. Em outro momento explorando o registro, as crianças utilizaram os elementos naturais coletados no pátio em suas criações, ampliando sua criatividade e seus traços. As crianças pequenas podem registrar o que vivem, repensar e elaborar as experiências por meio do ato de desenhar nos momentos significativos.

Enviamos às famílias uma tarefa que consistia na seguinte pergunta: O que vocês estão fazendo para preservar a natureza e deixar um futuro mais alegre e colorido para seu filho(a)? Também solicitamos que coletassem junto com seu filho (a) e nos enviassem elementos da natureza para nossas explorações (sementes, grãos, pedrinhas, gravetos, flores secas, outros) Vieram muito elementos novos, diferentes dos que as crianças já conheciam. Estes foram utilizados posteriormente nas vivências propostas, enriquecendo as pesquisas.

Outra tarefa solicitada foi que fizessem registros fotográficos de ações na natureza com seu filho (brincadeiras, passeios, plantio de mudas, cuidado com as flores, outras). Pesquisas sobre as árvores existentes no quintal de suas casas. Estes materiais depois de socializados com as crianças fizeram parte das amostras de trabalhos organizadas pela escola.

Observação: Estas tarefas foram enviadas em tempos alternados, no decorrer do projeto. Com o calor novamente se aproximando realizamos um passeio ao Bosque dos Capuchinhos (área de preservação existente em nossa cidade), possibilitando ás crianças experiências de pesquisa e descobertas: novas cores, sabores, sons, odores e possibilidades de interação com a natureza. Nesta oportunidade cada criança levou uma sacola de pano para coletar os elementos: pedras, gravetos, folhas, flores secas, sementes, outros elementos que chamassem sua atenção. Destacamos aqui o encantamento delas pelas diferentes espécies de árvores. “Ela tem espinho! Será que posso encostar?” I., 3a7 m. “Está é muito grande parece que esta no céu”. M., 3a8 m. A vivência e experiência direta proporcionaram uma aproximação com a natureza.

Também observamos a ação do homem na natureza, locais poluídos, lixo no chão, árvores cortadas, buscando despertar a conscientização para o cuidado e preservação. As vivências registradas na sequência são o processo da pesquisa sobre a ambientação dos espaços e a exploração dos elementos da natureza e de como a intervenção pedagógica desafia e amplia as possibilidades de construir conhecimento brincando.

Vivência: Fios e formas na natureza
Através desta vivência oferecemos as crianças possibilidades de realizar construções, descobrindo sua capacidade e habilidades de maneira lúdica e prazerosa, explorando o tato, observação, criatividade e criação de brinquedos.

Disponibilizamos no pátio os elementos colhidos no passeio ao Bosque, e as crianças foram desafiadas a explorá-los fazendo uso da lupa, para ampliar a pesquisa sobre textura, cor, tamanho, peso. Percebemos que nesta oportunidade elas aproveitaram a lupa para caçar formigas, observar a vegetação e as flores, transformando esta atividade rica em descobertas e alegria.

Foram colocados também fios de lã onde elas puderam criar diferentes brinquedos e brincadeiras com os elementos. Destacamos as tentativas de atá-los e pendurá-los em árvores, nas janelas, nas grades. As vivência e brincadeiras com os elementos naturais propiciam inúmeras conquistas, segundo Ana Lúcia Machado:

– Autonomia e segurança;
– Conhecimento do próprio corpo;
– Habilidades motoras, destreza e equilíbrio corporal;
– Florescimento da imaginação e fantasia;
– Interesse e encantamento pelo mundo;
– Vitalidade e saúde.

Vivência: Brincar de Comidinha
Observando que naquele período chuvoso em que ficamos mais tempo com as crianças no ambiente da sala de aula, elas brincavam muito de fazer comidinha fazendo uso dos materiais não estruturados, então juntamente com a coordenação da escola buscamos, reestruturar uma parte do pátio da escola, onde agora existe uma cozinha, sim uma “cozinha de verdade” com fogão, pia e água.
– Oba! Posso usar água e brincar.

Nesta “cozinha” tem panelas grandes, pequenas, talheres e outros utensílios. As crianças em meio às atividades, frequentemente vêm ao encontro das educadoras e dos pares para oferecer um alimento imaginário, representado muitas vezes por pedras, folhas, areia, massinha e mesmo sem nenhum objeto ou utensílio que represente a cozinha.

Foi proporcionado a elas momentos de interação e brincadeira, ao partilhar o alimento “imaginário ou real”, oferecendo para o outro provar, dividindo-o em partes. Experimentaram vários papéis sociais, pois montaram “cozinhas”, “casas”, classificaram, fizeram seriações, comparações e misturas variadas. Tiveram oportunidade de manusear as frutas, descascá-las, picá-las e prová-las.

Quando o educador entra nas brincadeiras com as crianças ou simplesmente observa e ouve, percebe que é por meio desta interação com a natureza que a criança começa a reconhecer cores, cheiros, texturas e sons, as peculiaridades de cada elemento explorado, ampliando seus conhecimentos.

Nestas situações percebe-se de forma lúdica a experimentação, a cooperação entre as crianças, a interações com os objetos, a transformação dos espaços, desenvolvimento das linguagens e construção do conhecimento.

Vivência: Sabor de Infância
O espaço foi organizado previamente onde foram disponibilizados diferentes elementos da natureza: sementes variadas, frutas, legumes, verduras, flores, farinha, cereais, pão, leite água, utensílios de cozinha e outros elementos com o objetivo de que as crianças fossem incentivadas a manusear diferentes materiais e a experimentar outros sabores, sendo protagonistas na construção do conhecimento com seus pares.

Podemos observar as interações das crianças nestes momentos ao “cozinhar”, dividindo e compartilhando tarefas. O desafio de usar a faca e tentar cortar as frutas e legumes, desenvolvendo habilidades motoras, sensoriais, científicas e matemáticas. Chamou nossa a atenção o interesse que despertou nas crianças a moranga cabotiá, a qual foi disponibilizada inteira, com casca e crua. As crianças fizeram muitas tentativas para cortá-las, verificando que sua casca era muita dura e necessitavam do uso de muita força, a colega S. que me auxilia no trabalho com a turma teve a ideia de ajudar, partindo a moranga em partes menores (fatias) assim as crianças conseguiram descasca-la e provar foi um momento de muita interação, descoberta e alegria.

“Você gostou? ”V., 3a8m; “Eu achei deliciosa” J., 3a8m; “Aí não é bom”., M3a7m. Percebemos muita interação e descobertas neste momento minucioso do cotidiano. Esta vivência também permitiu que as crianças ampliassem seu conhecimento sobre o nome das frutas e dos outros elementos disponibilizados. De acordo com PIORSKI (2006, p. 63): O Interesse da criança por formas, gestos, afazeres, cores, sabores, texturas, assim como suas perguntas sem fim, sua vontade de tudo agarrar e examinar, e seu amor às miniaturas o grande ou menor tamanho, pode ser traduzido por um desejo de se intimidar com a vida. Esse desejo embrenha a criança nas coisas existentes é um intimidar para conhecer, pertencer, fazer parte, estar junto daquilo que a constitui como pessoa.

Vivência: Farinhas, grãos e pigmentos
Esta vivência foi realizada num ambiente previamente preparado com alguns elementos, outros foram deixados mais distantes das crianças, com o objetivo de observar suas apropriações, interações e construções com os diferentes objetos. Bacias grandes foram disponibilizadas no pátio, com farinha, água e muita anilina colorida, porque brincar de massinha já é muito bom imagina poder descobrir sua consistência e nela poder colocar outros elementos não estruturados.

Numa tarde de sol brilhante o colorido da água misturou-se com a farinha e as pequenas mãos das crianças que manipularam a massa e colocaram diferentes ingredientes (sementes variadas, grãos, pinhas, folhas, pedras, outros). Observamos o encantamento das crianças, que criaram e imaginaram através desta vivência as mais variadas brincadeiras. Colorindo a comida, brincando de cozinheiro, acrescentando os grãos, mexendo a colher, experimentando o sabor, trocando ideias com seus amigos.

Vivência: Meu quintal é maior que o mundo
As crianças estavam ansiosas ante a expectativa criada pelas educadoras, de que haveria uma surpresa no dia seguinte, quando estas retornassem à escola. Preparamos para elas uma cabana no pátio (ateliê de leitura e música e pintura, cozinha explorando brincadeiras de comidinha, canto das brincadeiras).

Foi uma das vivências mais encantadoras do projeto, as crianças demonstraram muita alegria e entusiasmo em poder realizar atividades em outra “escola”, outra “casa”, conforme seus comentários. Ler um livro na cabana foi o máximo, fazer pipoca e comer lá fora, poder pintar livremente, brincar de fazer comidinha. Também foram colocadas no pátio redes suspensas nas árvores para as crianças se balançarem. Galhos de coqueiro e butiá para escorregarem ladeira abaixo. Brincadeiras com cordas e pneus. ”Meu quintal é maior que o mundo”. Manoel Barros…Ah esse quintal…e sua bonitezas!

Este espaço ficou assim organizado por vários dias, as crianças brincaram muito e outras turmas também puderam usufrui-lo.

Vivência: Flores e Frutos
Foram criados diversos ambientes no pátio da escola, oportunizando a criança movimentar-se com liberdade entre eles, manusear diferentes materiais explorando sua funcionalidade, provar diferentes sabores, brincar com os chás, com a água. A criança pega a fruta e leva à boca, a outra interfere e diz;
– Espera aí! Tem que lavar e pesar.
As sequencias construídas ao pegar as frutas, lavá-las, pesá-las, degustá-las ou simplesmente oferecê-las ou compartilhá-las com seus colegas evidenciaram quanto conhecimento foi construído sobre os materiais. Ao perguntar ao colega quanto pesou? E este respondeu pesou 100 percebemos as descobertas através do jogo simbólico. Segundo LIBÂNEO (1994, p.250): O professor não apenas transmite uma informação ou faz pergunta, mas também ouve os alunos. Deve dar-lhes atenção e cuidar para que aprendam a expressar-se, a expor opiniões e dar respostas. O trabalho docente, nunca é unidirecional. As respostas e opiniões dos alunos mostram como eles estão reagindo à atuação do professor (…).

Tendo esta familiarização com as frutas e os legumes, quando estas eram oferecidas na alimentação, começaram a ser vistas de outra maneira e a ter outro sabor. Contamos com a parceria das colegas responsáveis pelo setor da alimentação, que foram contagiadas pela proposta e nos ofereciam pratos coloridos, decorados e muito saborosos, instigando a curiosidade e o desejo das crianças em prová-los. Estabelecendo assim uma conexão de saberes entre os segmentos: criança/educador/outros profissionais. É nesta contextualização significativa que acreditamos.

Vivência: Dias Coloridos de Solidariedade
O ambiente foi organizado no pátio com a ajuda das crianças, neste dia confeccionamos bolachas doces e as pintamos. Estas seriam doadas a um Lar que abriga crianças. Numa ação conjunta estudamos os ingredientes que seriam necessários para a nossa receita dar certo (para as crianças identificarem melhor fizemos um cartaz com os ingredientes representados por fotos e ao lado as respectivas medidas). Após com a ajuda das educadoras, as crianças colocaram a mão na massa, cada mãozinha adicionou um ingrediente para que todos sentissem que fizeram parte da elaboração da nossa receita. Na sequência as crianças organizaram-se, no espaço para brincar com massa de modelar e elementos não estruturados, enquanto aguardavam para as bolachas ficarem prontas. Para assar as bolachas contamos com auxílio das colegas encarregadas do setor de alimentação. Após foi preparado o merengue e as bolachas foram pintadas, novamente com o auxílio das crianças. Claro que também teve bolachas e merengue para as crianças se deliciarem.

Também foi solicitado aos pais que trouxessem para a escola uma flor e uma fruta para ser entregue ao lar junto com as bolachas. E numa outra tarde fomos conhecer o Lar e as crianças que estavam lá, buscando conscientizar os pequenos que ações de solidariedade também ajudam nossos dias ficarem mais coloridos.

Passeio para conhecer um pomar e percorrer uma trilha ecológica
Realizamos um passeio para conhecer um pomar e explorar uma trilha ecológica numa área de preservação. As crianças puderam conhecer vários tipos de árvores frutíferas, colher as suas frutas, prová-las, observar como é feito seu plantio e cuidado.

Durante o percurso da trilha (duração de aproximadamente 30 minutos de caminhada) ouvimos o canto dos pássaros, exploramos a natureza com suas árvores e nascentes, observamos vários tipos de vegetação, flores e podemos perceber a importância de preservar estes locais. Após descansamos no imenso gramado verde coberto por frondosas árvores, as crianças tiveram mais um momento livre para explorar este ambiente e brincar. Foi mais um dia muito alegre e colorido de riqueza e aprendizado.

Plantio de mudas frutíferas com a família
Neste dia contamos com a presença das famílias que vieram até a escola para participar de um momento de brincadeiras com as crianças, ver a mostra das produções delas e confraternizar realizando um piquenique. Neste mesmo dia deixamos um marco para no próximo ano criarmos o pomar e a horta, plantando com as famílias algumas mudas de árvores frutíferas. Precisamos abrir espaços, lugares, tempos para as famílias, momentos em que elas possam participar da forma que se sentirem melhor.

O Projeto proporcionou o contato com a natureza e seus elementos e promoveu uma postura investigativa por meio da observação direta e por meio de outros recursos de pesquisa (literaturas, músicas, poesias, desenhos, fotos). Salientamos que concomitante as experiências aqui citadas, se abriu um leque para muitas outras que foram realizadas no decorrer do projeto.

Instrumentos utilizados na avaliação

O projeto pautou-se nas diferentes vivências realizadas e em diversos ambientes organizados.

A ideia do projeto teve início a partir da observação das crianças em um momento de brincadeira no pátio, as quais demonstravam muita curiosidade, interação e encantamento pela natureza e em uma proposta integrada de saberes que busca vê-las como protagonistas de suas brincadeiras e aprendizagens, e acredita na força dos elementos naturais como recurso didático. Tendo como base o diagnóstico e o perfil da turma, em parceria com a coordenação da escola planejamos situações onde foram oportunizadas diferentes vivências para que as crianças pudessem através do brincar, pesquisar, interagir e construir conhecimentos com os materiais não estruturados.

As primeiras marcas, vivências e experiências acontecem na infância e elas perpassam pelo brincar, pois brincando a criança está descobrindo, pesquisando, investigando, elaborando e reelaborando questionamentos sobre o mundo. Neste contexto a escuta, o olhar sensível e observador do educador é fundamental para poder perceber e tornar visíveis as aprendizagens das crianças.

Ao observar que elas brincavam e interagiam fazendo construções constatamos que elas precisavam de mais momentos do seu cotidiano do lado de fora da escola, em espaços com mais verde, árvores, flores e frutos, onde pudessem ampliar suas explorações. Tendo um espaço ocioso nos fundos da escola com área verde e alguma árvores nativas, fomos buscar parceria para conquistá-lo e integrá-la como terreno da escola.

Também seria relevante conhecer um pouco mais dos arredores da escola, arborização das casas, das ruas, os parques, bosques, buscando vivenciar nestes lugares, colher elementos para as pesquisas e investigações, cuidar e aprender a valorizar estes espaços junto á natureza.

Achamos pertinente desenvolver ações que incentivassem o consumo consciente, o plantio de frutas e verduras na escola e em casa, trabalhando em parceria das famílias, através de atividades conjuntas, buscando assim outras maneiras de mostrar aos pais o trabalho realizado na escola.

Nos momentos das refeições criarmos e oferecermos às crianças pratos coloridos: evidenciando as frutas e verduras, para isso precisaríamos da colaboração de outros setores da escola. As encarregadas do setor de alimentação também foram parceiras deste projeto.

Resultado observado

Através das observações, das diferentes formas de registros (vídeos, fotos, produções das crianças) da análise das múltiplas linguagens verificamos os avanços alcançados por meio da realização das diferentes vivências. Poder manusear diferentes materiais, nos momentos de brincadeiras coletivas onde puderam ter autonomia, foi uma experiência muito rica e marcante para elas, percebemos no sorriso e no olhar de cada criança o quanto esses momentos foram importantes. As crianças ficavam esperando ansiosas pela próxima vivência, questionando se haveria “surpresa” naquele dia. Pelo fato de assim nos referirmos a cada ambiente criado.

Nos contextos organizados podemos perceber seu protagonismo e aprendizagem. As brincadeiras permearam as produções em todos os momentos dando espaço para a as pesquisas e descobertas das crianças, que trouxeram as suas contribuições, criando diferentes formas de brincar e interagir com seus pares, resolvendo problemas, construindo hipóteses e criando aprendizagens significativas.

Com a participação das crianças nos momentos de registro (fotos e vídeos) e a exposição de suas produções de diferentes formas (expostas nas paredes da escola como uma segunda pele, suspensas em harmonia com os elementos da natureza, na parte externa da escola, entre outras), elas passaram a identifica-las melhor e o incentivo e valorização por parte da família foi fundamental neste processo. Percebemos que tanto as crianças quanto os pais demonstraram mais interesse em contemplar o que era exposto. Outro meio utilizado para mostrar as produções das crianças e o trabalho realizado foi através do facebook da escola. Houve uma evolução significativa no desenvolvimento motor das crianças que durante as caminhadas e brincadeiras mostraram-se mais participativas e entusiasmadas e passaram a brincar com mais independência e cooperação.

O contato com diversos materiais e texturas também enriqueceu o desenvolvimento do tato e ampliou o vocabulário das crianças em relação aos elementos naturais. Através da roda de conversa que era realizada em diferentes momentos, percebemos avanços significativos no desenvolvimento da oralidade, socialização e interação das crianças. Como foi bom poder participar destes momentos e ver a desenvoltura de cada criança, na troca, no olhar, nos movimentos, nas falas. As crianças tem uma ligação com a natureza e a cultura que é inexplicável, ela se perpetua.

O texto deste projeto foi enviado pelo autor e é de responsabilidade do autor deste projeto.

Projeto ajuda no desenvolvimento de quais competências?

ConhecimentoComunicaçãoAutoconhecimento e autocuidadoEmpatia e cooperaçãoResponsabilidade e cidadaniaPensamento científico, crítico e criativo

Horas/Aulas aplicadas ao projeto.

240 horas diárias

240 horas diárias

Público-alvo do projeto.

Infantil

Horas/Aulas aplicadas ao projeto.

Parque

Escola Pública

Escola Particular

Quantidade adequada de participantes.

20 participantes

20 participantes

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

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