Códigos da cidade

Alberto Rodrigues dos Santos

Códigos da cidade

Projeto de Alberto Rodrigues dos Santos

Contribuição do projeto para a educação

O projeto foi realizado em 2018 e teve duração de 8 meses. A escola está localizada na região periférica do município onde ocorrem casos de abuso sexual infantil, tráfico de drogas, violência doméstica, depredação da escola, acúmulo de lixo e queimadas frequentes em terrenos próximos à escola. A ideia foi propor aos estudantes que explorassem as relações entre as diferentes linguagens e suas práticas, permitindo ainda o uso das Tics. Assim sendo, as experimentações possibilitaram incluir as Artes Integradas, proposta pela BNCC.

Após investigarmos sobre o desenvolvimento sustentável e como a Arte poderia provocar reflexões entorno do assunto abordado, decidimos promover campanhas de conscientização ambiental e ações com a utilização do QR Code e das expressões artísticas: música e dança – com a gravação em estúdio de uma música e a produção de um vídeo clipe; teatro – com a interpretação em vídeos de animais nativos; artes visuais – produção de figurinos com materiais inusitados como lã de carneiro e palha de milho; fotografia – observação de pássaros e exposição fotográfica e; cinema – produções de vídeos educativos e Mostra de curtas metragens exibido no cinema da cidade.

Uma das ações do projeto foi espalhar QR Codes dos vídeos produzidos pelos alunos na cidade e promover um abaixo-assinado. Como resultado conseguimos motivar 17 cidades na busca de alternativas para a instalação de uma Usina de Tratamento de Resíduos Sólidos na Região gerando um impacto positivo na vida de 308 mil habitantes. O projeto mostra que é possível trabalhar as tecnologias na sala de aula com poucos recursos e com um alcance além dos muros escolares, promovendo uma aprendizagem significativa e desenvolvendo cidadãos globais.

Aspectos curriculares atendidos pelo projeto

O projeto nasceu a partir de alguns questionamentos dos estudantes do 4o ano do ensino fundamental I entorno das questões: queimadas e a interdição do aterro sanitário no município. Ao mesmo tempo, outra situação problema estava acontecendo na cidade: a interdição do aterro sanitário do município pela CETESB. Para responder tais perguntas e modificar o quadro que estava estabelecido, criamos o presente projeto, unindo Arte, QR Code e Sustentabilidade.

Ao ser proposto pela BNCC o eixo temático “Artes Integradas”, pensei que o tema “sustentabilidade” poderia ser um mote para desenvolver um projeto que articulasse as expressões artísticas com o uso das tecnologias de informação e comunicação (QR code), envolvendo toda a escola e provocando reflexões sobre os assuntos abordados. Assim, Baseado nos ODS da ONU, resolvemos criar ações de conscientização através da arte.

Os objetivos de conhecimento e desenvolvimento (aprendizagens que devem ser asseguradas aos estudantes) foi provocar a reflexão crítica através das expressões artísticas aliadas as novas tecnologias de informação e comunicação sobre a importância do desenvolvimento sustentável, conectando os conteúdo de Artes, promovendo o protagonismo ao possibilitar que os alunos escolhessem a linguagem artista que mais lhe agradava e, assim, deixando sua marca pessoal.

Desta forma, o projeto possibilitou trabalhar conteúdos como: Pré-história (Kaiowá – coletores e caçadores) e Cultura atual (Artistas que repensam questões sobre o meio ambiente (Vik Muniz e Eduardo Srur) – Arte e tecnologia – Stop Motion – tingimento (cores) – Fotografia – QR Code – Chroma Key – Criação e Confecção de gurinos com materiais inusitados (materialidade) – Edição de vídeos – Interpretação – Composição de música/letra – Gravação em estúdio – O corpo em cena – Pintura corporal.

Valorização da diversidade e inclusão

O projeto valorizou a diversidade e a inclusão na sala de aula possibilitando desenvolver o protagonismo, a autoestima e as potencialidades de cada aluno (a), pois nos baseamos na troca de experiências, na aprendizagem coletiva e compartilhada, além da possibilidade de cada estudante escolher a linguagem que melhor lhe agradava para se expressar tornando-o parte do todo.

Atividades desenvolvidas no Projeto

Em 2017, a Cetesb interditou o aterro sanitário do município, pois o mesmo não comportava mais o recebimento dos resíduos sólidos urbano da cidade (cerca de 550 toneladas de resíduos produzidos por mês). A prefeitura então decidiu enviar nosso “lixo” para o aterro de outra cidade, solucionando parcialmente o problema, mas deixando esta responsabilidade para outro município. Esta atitude incomodou muitos munícipes já que por lei, cada cidade tem a obrigação de tratar e destinar corretamente seu próprio lixo. O fato é que aliado a isso outro problema vinha acontecem com frequência: as queimadas.

Em 2018 presenciamos uma queimada muito próximo da escola e isto prejudicou as aulas e a saúde de todos os presentes. As crianças ficaram tossindo e com pigarro por pelo menos 3 dias. Os alunos do 4o ano começaram a questionar sobre o problema das queimadas e do resíduo sólido, e como isso poderia prejudicar o meio ambiente. Coincidentemente, na mesma semana houve a inauguração de uma grande rede de lojas de móveis na cidade. Algumas crianças comentaram que seus pais iriam comprar sofás novos. Foi então que percebi que ali estava um mote para planejar ações que pudessem causar a reflexão crítica através das expressões artísticas. Lancei um desafio: Quando compramos um sofá novo, onde colocamos o velho? Os alunos pensaram e responderam: no lixo. Outros já relacionaram com os móveis que eles observaram jogados em terrenos e que muitas pessoas ateavam fogo causando “queimadas” que prejudicavam as pessoas e os animais. Então, disse: vivemos numa sociedade consumista.

Expliquei o que era e foquei na questão da produção do lixo, do aterro sanitário e em outras possibilidades de descarte adequado para essa questão. As crianças refletiram e perguntaram: então, como podemos mudar tudo isso? Disse à eles: talvez a Arte possa nos ajudar a refletir e pensar possibilidades para solucionar isso. E se produzíssemos vários vídeos para provocar a reflexão das pessoas? Perguntei. Eles adoraram a ideia.

Fui para casa e comecei o planejamento do projeto. Por onde iria começaria, que caminhos poderiam ser percorridos e os objetivos a serem alcançados. Reli a BNCC e percebi que poderia articular os conteúdos de Artes com diversas expressões artísticas e seus conteúdos. Como queria trabalhar com todas as turmas que leciono (Pré I, Pré II e o 4o Ano). Resolvi dividi o projeto em: os pequenos ficariam com a confecção dos figurinos e encenação dos personagens (animais nativos) e os maiores com gravação, edição, maquiagem, composição da música para o clipe, conteúdos relacionados a fotografia, stop motion, geração do QR Code na internet, roteiro (storyboard). Entendi que desta forma poderia trabalhar os diversos eixos temáticos, seus objetivos, habilidades e competências.

Assim, para alcançar os objetivos propostos, dividi o projeto em três etapas:

1 – Códigos do passado
A primeira etapa do projeto foi voltar nossos olhares para o passado da cidade através de uma investigação sobre os hábitos e costumes dos primeiros habitantes da região, os Kaiowá (Coletores e Caçadores). Estudamos sobre sua relação com a natureza, que tipo de sociedade era e como funcionava o sistema de consumo dos recursos naturais. Levei as crianças para visitarem o Centro Regional de Arqueologia Ambiental da USP em Piraju. Expliquei para os alunos que Piraju é referência em arqueologia, pois toda a extensão do rio Paranapanema é considerada sítios arqueológicos e que, por aqui viveram há milhares de anos povos que tinham uma relação com a natureza muito diferente da que temos hoje. Observamos vestígios desses primeiros habitantes, cerâmica, urna mortuária, pontas de lanças e flechas. Aproveitei e explique sobre a origem do nome da cidade: Pira-yu – que em Guarani-Kaiowá significa peixe amarelo.

2 – Códigos do Presente
A partir do levantamento dos códigos do passado, fizemos uma comparação com a sociedade atual. Chegamos a conclusão que esses povos tinham muito a nos ensinar. E se eles pudessem nos enviar mensagens do passado? Onde as encontraríamos? Talvez na própria natureza.

Então, iniciei algumas aulas sobre fotografia. Enquadramento, luz e sombra, zoom e convidei a turma para sairmos a campo e fotografar os animais, flores, insetos com celulares. Utilizamos uma técnica de “Chamamento de pássaros” reproduzindo seus sons. Levei minha máquina fotográfica, pois seu Zoom é melhor e conseguimos belos registros fotográficos (choca-barrada, periquitão-maracanã, bem-te-vi, saíra-amarela, sabiá do campo, entre outros) que foram guardados para uma exposição.

Com isso, além de observar as belezas naturais da cidade, os alunos também constaram através de exemplos encontrados nas casas, no bairro e na cidade, que vivemos em uma sociedade extremamente consumista e produtora de resíduos que agridem o meio ambiente de forma irreparável.

A partir do levantamento dos códigos do passado, fizemos uma comparação com a sociedade atual: Antes, os povos originários respeitavam a terra, consumiam apenas o necessário e deixavam a natureza se refazer, e hoje? Como nos relacionamos com a terra? Damos tempo para ela se recompor? Consumismo apenas o necessário? Trouxe para a discussão artistas que pensam a arte como meio de reflexão sobre a importância do meio ambiente: Vik Muniz e Eduardo Srur. Este último trata a questão do consumismo. Aproveitei e liguei com a ideia da sociedade consumista e produtora de lixo em que vivemos.

Pensamos sobre os códigos do presente (os QR codes criados para identificar produtos), decidimos produzir vídeos educativos que seriam transformados em QR Codes para serem distribuídos pela cidade (orla do rio, praças e árvores). Como se as mensagens desses povos do passado estivessem guardadas na memória da própria natureza. Para que os alunos pudessem entender a ideia, espalhei na escola, vários QR Codes e pedi para eles baixarem um APP de Leitor de QR Code. A ideia era que eles tivessem o primeiro contato com esses códigos que ao serem acessados, continham textos sobre o tempo de degradação de diversos materiais na natureza como: Plástico, vidro, papel, borracha… Foi bonito observar todos, inclusive , os pequenos lendo os textos. Aproveitei e fiz latas de lixo recicláveis com QR Code e trabalhei os 5 Rs.

Voltei para os conteúdos de Artes e expliquei algumas técnicas de cinema como: planos, storyboard, enquadramento, luz, Chroma Key. Em Stop Motion: os quadros, personagens de massa de modelar ou objetos e edição dos vídeos no Movie Maker e Vsdc editor.

Dividi em grupos e deixei que eles definissem que tipo de técnica usariam. Primeiro, os maiores criaram vários roteiros com mensagens (tipos de animais), textos curtos, storyboard) e gravaram vídeos utilizando a técnica de Stop Motion. Para os menores utilizamos a técnica do Chroma Key. Orientei os menores a confeccionar o figurino dos animais (tatu bola, cobra cascavel, tamanduá-bandeira, beija-flor, peixe dourado, aranha, peixe surubim – esta espécie é endêmica da cidade e existe há 15 milhões de anos nas águas do rio Paranapanema). Solicitei que os estudantes trouxessem de casa alguns materiais inusitados para a confecção dos animais. Um aluno trouxe lã de carneiro e outro, palha de milho. O que foi incrível porque com a lã de carneiro conseguimos fazer a pelagem do tamanduá-bandeira e, com a palha de milho, as penas do beija-flor. Para tingir a lã de carneiro foi fácil, mas o desafio era tingir a palha. Depois de vários testes, conseguimos tingir com anilina e álcool no tom que precisávamos. Cortamos as palhas no formato de penas e aplicamos no figurino. Ficou perfeito. Conforme os figurinos iam ficando prontos, iniciávamos as gravações com o fundo verde para fazer o chroma key e criar o ambiente onde o personagem se encontrava. Por exemplo: o beija-flor teria que estar voando. Então, colocamos uma mesa, cobrimos com o tecido verde e o (a) aluno (a) deitava simulando o voo do pássaro. É preciso ressaltar que os alunos do 4o ano estudavam no período da manhã e os prés a tarde. Então, os alunos do 4o ano voltavam no período da tarde para gravar os pequenos. Isso foi muito significativo, pois propiciou uma aprendizagem compartilhada e coletiva.

O projeto foi crescendo e todos queriam participar. Fomos criando novas cenas a partir da improvisação com a participação de todos e utilizamos todo o espaço escolar como extensão do fazer artístico (árvores, gramado, pátio, cozinha, jardim) porque a ideia não era apenas o produto final, mas a experimentação artística. Após as gravações, os alunos do 4o ano editavam os vídeos. Foram cerca de 30 vídeos que em sequência totalizavam 50 min de duração que seriam usados na Mostra de Curtas no Cinema da cidade.

Para finalizar, solicitei o espaço do Centro Cultural da cidade para realizar uma exposição fotográfica com as fotos tiradas dos alunos. Fizemos uma exposição onde a legenda era o QR Code. Para saber os dados da foto – espécie da ave, autor(a), o visitante teria que acessar o QR code.

Depois, realizamos no Cinema da cidade a II Mostra de Curtas Metragens, pois em 2011 já havia realizado a primeira Mostra com o tema Folclore. Convidamos a comunidade e família que lotou o cinema. Foi impactante, pois muitos alunos nunca haviam entrado em um cinema. Já se imaginou nunca ter entrado em um cinema e a primeira vez que você vai, não é para assistir aos filmes da Disney, Marvel, Warner Bros, Universal, Pixar, mas para assistir aos filmes produzidos por você e com sua atuação? Pois é, foi um inesquecível!! A criançada da escola Gilberto Bonafé encerrou o projeto Códigos da Cidade desfilando em tapete vermelho na II Mostra de Curtas-metragens do Ensino fundamental e Infantil no Cinemax Piraju! E por fim, criamos uma um canal na plataforma Vimeo e colocamos os vídeos, depois geramos QR Codes de cada um em um site específico para este fim. Mandei fazer algumas placas em madeira, imprimimos os QR Codes que continham os vídeos exibidos no cinema e espalhamos pela orla do rio Paranapanema e espaços públicos da cidade. Divulgamos nas emissoras de rádio local o projeto e pedimos para a população baixar o aplicativo e acessar os códigos da cidade. O resultado foi excelente. Muitas pessoas acessaram os vídeos e perceberam a importância do projeto.

3 – Códigos do Futuro

Com o resultado do trabalho, a turma queria mais. Poderíamos contribuir com mudança do futuro? Pensando nisso, criamos uma campanha para um abaixo-assinado solicitando uma construção de uma Usina de tratamento de resíduos sólidos no município. Com a ajuda de uma tia de aluno compomos uma música com o auxílio de “beats” da internet e gravamos em um estúdio da cidade. Em seguida produzimos um vídeo clipe com todos os alunos e divulgamos nas redes sociais pedindo a adesão da população. Durante alguns dias as crianças saíram de casa em casa explicando o projeto e colhendo assinaturas para o abaixo- assinado. Foram mais de 900 assinaturas que depois foram entregues ao prefeito municipal.

Desdobramentos do projeto:
Com isto conseguimos importantes resultados positivos no aprendizado e elevação da autoestima da turma e na comunidade: No ambiente escolar – (Diminuição de indisciplina e aumento da participação dos (as) alunos (as), inclusive no contra turno, aumento da autoestima, principalmente de alunos (as) que sofreram abuso sexual, construção de uma horta orgânica na escola); Na comunidade – (No cuidar da escola pela comunidade – Diminuição para “Zero” de depredação da escola – participação efetiva das famílias, inclusive, na recuperação da sala de informática por pais de alunos – encontraram até um rato morto dentro de um computador, diminuição da violência, diminuição de descarte de lixo e entulho, diminuição de queimadas).

Além disso, outros desdobramentos aconteceram, a turma foi homenageada por 2 (duas) vezes pela Câmara de Vereadores do Município pelo projeto desenvolvido. Em uma das oportunidades, uma aluna representando a turma, fez o uso da tribuna na câmara convidando os senhores vereadores a aderirem à causa. Tal ação chamou a atenção para a Lei 12.305 de 02/08/2010 que impõe o tratamento sustentável dos resíduos sólidos e cria um quadro inédito de responsabilidade compartilhada na gestão ambientalmente equilibrada, economicamente viável e socialmente correta do lixo urbano, com isso, o projeto mobilizou não apenas os vereadores, mas 17 cidades da região entorno da causa que, através do consórcio de cidades AMVAPA (Associação dos Municípios do Alto Paranapanema) estão articulando a construção na região de uma usina que, por meio de uma técnica de carbonização, é possível transformar o lixo em carvão vegetal (Empresa descoberta durante a realização do projeto e estudada pelas crianças) Além dos benefícios já citados, o projeto ainda estimulará a criação de cerca de 250 empregos na região e um impacto ambiental positivo na vida de 308 mil pessoas. A partir das aulas de artes o projeto rompeu os muros escolares e está alcançando outras fronteiras, estimulando nos participantes do projeto, potencialidades criativas nas soluções de problemas.

É na observação do micro que entendemos o lugar que ocupamos e que, a partir desse lugar, podemos ampliar nosso olhar para as coisas do mundo, somando experiências de vida, olhares diferentes, para assim, nessa soma de ideias e criações coletivas, transformar o macro para um bem comum. Este é o poder da Arte que transforma vidas!

Instrumentos utilizados na avaliação

Ao unir passado e presente para a construção de um futuro sustentável, o projeto iniciou ações a partir das artes que propiciou trazer para a contemporaneidade hábitos que, às vezes, são pouco estimulados como o “ver”, o “observar”, o “silêncio interno”, a “escuta atenta” e o “sentir” o que está em nossa volta.

A vivência artística foi tão importante quanto o produto final, pois os alunos foram estimulados não só a reproduzir as formas artísticas já existentes, mas também a criar suas próprias produções a partir da percepção sobre a cidade em que vivem. Compreendendo que são afetados e afetam o mundo, pois entendo que a vivência artística também é uma prática social.

Nesse sentido, os instrumentos de avaliação foram contínuos através de registros audiovisuais com relatos sobre cada etapa do projeto focando em três perguntas: o que o afetou? Mudou alguma coisa? O que poderia ser mudado? Com isto pude avaliar os alunos durante todo o processo e também me avaliar na tomada
de decisões.

Resultado observado

Ao ser trabalhado durante todo o percurso a autoestima, coletividade, criação na resolução de problemas, observei uma grande melhora em Artes e em todas as demais disciplinas.

Alunos que no inicio do ano tiravam notas vermelhas, ao final do 4o bimestre estavam com notas altas. O caso mais interessante foi de uma aluna que havia sofrido abuso sexual quando era muito pequena e teve sua autoestima abalada, inclusive, dificuldade na dicção. Por isso, tirava notas 2 e 3 no início do ano. Ao final do projeto participava ativamente de todas as aulas, com a autoestima elevada, empoderada, dicção melhorada e suas notas alcançaram 9 e 10 em todas as disciplinas (em Educação Ambiental ela tirou 10 nos 2 últimos bimestres).

Em Artes foi possível constatar a evolução dia a dia, pois o projeto articulou com o desenvolvimento das habilidades e competências gerais da BNCC colocando o estudante como protagonista, desenvolvendo a empatia, criatividade e criticidade diante das coisas do mundo, possibilitando explorarem novas formas de olhar para si, para o outro e para o mundo.

Autoavaliação

Ao propor o projeto sabia que enfrentaria muitos obstáculos para conseguir atingir os objetivos traçados, pois exigiria de mim muita dedicação e persistência durante o percurso.

Trabalhei pesquisando, preparando as aulas praticamente todos os finais de semana e horários de folga. Além de pesquisar muito sobre a BNCC e formas de abordagens, muitas vezes tive que testar e desenvolver experiências em casa como: tingimento de palhas de milho, lavagem da lã de carneiro, edição de vídeos e etc. Entendo que a educação exige uma adaptação urgente às reivindicações do presente. Definida por Bauman de “Modernidade líquida”, a sociedade atual é extremamente mutável. De fato, estamos vivendo em uma sociedade sem forma definida, onde há um esforço imenso de desconstruir o que é rígido, sólido e intransmutável. Nesse sentido, a educação não pode deixar o bonde da história passar, ela precisa se adaptar urgentemente às reivindicações do presente e de uma geração extremamente rápida, a chamada geração Z e Alpha. Esta geração vive em espiral, não em caixas pré-definidas como é o ensino atual.

A escola tem o modelo do século XVIII, com estrutura do século XIX, com professores do século XX para crianças e adolescentes do século XXI!

Portanto, a educação precisa entrar nessa espiral – em um ensino sempre em movimento espiral – entre idas e vindas para integrar a sala de aula ao contexto social do aluno – Em nosso caso foi às idas e vindas ao bairro, cidade, bosque perto da escola, campinho fora da escola, casas da vizinhança e museu. Tudo interligado, como uma rede de saberes a serem descobertos.

O texto deste projeto foi enviado pelo autor e é de responsabilidade do autor deste projeto.

Projeto ajuda no desenvolvimento de quais competências?

ConhecimentoComunicaçãoRepertório culturalCultura digitalArgumentaçãoEmpatia e cooperaçãoResponsabilidade e cidadaniaPensamento científico, crítico e criativo

Horas/Aulas aplicadas ao projeto.

50 horas diárias

50 horas diárias

Público-alvo do projeto.

Fundamental I

Horas/Aulas aplicadas ao projeto.

Parque

Escola Pública

Escola Particular

Quantidade adequada de participantes.

100 participantes

100 participantes

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

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